As Pequenas Grandes Conquistas ao Controlar a Obesidade

 

Apenas quem sofre ou sofreu com a obesidade pode entender a alegria de se sentar em uma cadeira de plástico sem ter que procurar uma outra para colocar em cima e dar uma reforçada ou estar sempre firmando a pontinha do pé para, caso a cadeira quebre, evitar que o tombo seja pior.

A primeira vez que presenciei a fúria de uma cadeira de plástico cansada de suportar tanto peso nem foi comigo. Eu devia ter uns 13 anos, nem era tão gorda, mas minha mãe estava bem pesadinha. Um primo dela estava se casando em São Luís, no Maranhão, e grande parte da família saiu de Goiás e foi para lá testemunhar a união. Foi num salão de festa chique, com direito a talheres de prata, que a cadeira de plástico em que minha mãe estava sentada “pediu arrego” e abriu as perninhas, fazendo com que minha mãe viesse de encontro ao chão.

A cena foi motivo de muita risada, inclusive EU ri muito. Naquele tempo eu nem imaginava que seria eu quem passaria muitos anos temendo que algo parecido me acontecesse. Eu nunca quebrei uma cadeira, mas sentar sempre era um ritual.

Fiquei muitas vezes em pé por não confiar na resistência da cadeira disponível, deixei de ir a algum passeio por não conseguir me locomover bem, pedi muitas vezes para meu marido amarrar meu tênis e esfregar as minhas costas. Fazer minha higiene após ir ao banheiro era uma ginástica. Para levantar da cama ou do sofá era um grande esforço e eu cheguei a quebrar duas camas. Aquelas mesas e cadeiras fixas de shopping ou certos restaurantes sempre me constrangiam, pois eu nunca cabia. No processo de emagrecimento, pequenas conquistas como amarrar o próprio tênis e cruzar as pernas são imensas para nós. Podemos até parecer meio chatos na empolgação, mas só quem já foi privado desses pequenos gestos pode realmente entender.

Quando eu já havia perdido um peso considerável e já tinha deixado de ser sedentária, estava deitada em minha cama e senti sede. Quando me levantei e não foi necessário apoiar o cotovelo na cama fiquei tão surpresa que não parava de me deitar e levantar, repetidamente. Meu marido achou estranho e me perguntou o que eu estava fazendo, quando respondi:

— Eu consigo levantar sem me apoiar!

Todas as pessoas que conheço que passaram por cirurgia bariátrica comentam a mesma coisa. A verdade é que só damos valor a determinadas coisas quando somos privados delas. Quando essas pequenas coisas tornam-se corriqueiras novamente, corremos o risco de deixar de valorizá-las e voltar ao comportamento que nos levou a sermos privados delas.

Vigie sempre!

 

2 comentários sobre “As Pequenas Grandes Conquistas ao Controlar a Obesidade

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